quinta-feira, 4 de setembro de 2008

Depilação

"Tenta sim. Vai ficar lindo."
Foi assim que decidi, por livre e espontânea pressão de amigas, me render à depilação na virilha. Falaram que eu ia me sentir dez quilos mais leve.
Mas acho que pentelho não pesa tanto assim. Disseram que meu namorado ia amar, que eu nunca mais ia querer outra coisa. Eu imaginava que ia doer, porque elas ao menos me avisaram que isso aconteceria. Mas não esperava que por trás disso, e bota por trás nisso, havia toda uma indústria pornô-ginecoló­gica-estética.
- Oi, queria marcar depilação com a Penélope.

- Vai depilar o quê?
- Virilha.
- Normal ou cavada?
Parei aí. Eu lá sabia o que seria uma virilha cavada. Mas já que era pra fazer, quis fazer direito.
- Cavada mesmo.
- Amanhã, às... Deixa eu ver...13h?
- Ok. Marcado.

Chegou o dia em que perderia dez quilos. Almocei coisas leves, porque sabia lá o que me esperava, coloquei roupas bonitas, assim, pra ficar chique. Escolhi uma calcinha apresentável. E lá fui. Assim que cheguei, Penélope estava esperando. Moça alta, mulata, bonitona. Oba, vou ficar que nem ela, legal. Pediu que eu a seguisse até o local onde o ritual seria realizado. Saímos da sala de espera e logo entrei num longo corredor. De um lado a parede e do outro, várias cortinas brancas. Por trás delas ouvia gemidos, gritos, conversas. Uma mistura de Calígula com O Albergue. Já senti um frio na barriga ali mesmo, sem desabotoar nem um botão. Eis que chegamos ao nosso cantinho: uma maca, cercada de cortinas.
- Querida, pode deitar.

Tirei a calça e, timidamente, fiquei lá estirada de calcinha na maca.Mas a Penélope mal olhou pra mim. Virou de costas e ficou de frente pra uma mesinha. Ali estavam os aparelhos de tortura. Vi coisas estranhas. Uma panela, uma máquina de cortar cabelo, uma pinça. Meu Deus, era O Albergue mesmo. De repente ela vem com um barbante na mão. Fingi que era natural e sabia o que ela faria com aquilo, mas fiquei surpresa quando ela passou a cordinha pelas laterais da calcinha e a amarrou bem forte.
- Quer bem cavada?
- .é... é, isso.
Penélope então deixou a calcinha tampando apenas uma fina faixa da Abigail, nome carinhoso de meu órgão, esqueci de apresentar antes.
- Os pêlos estão altos demais. Vou cortar um pouco senão vai doer mais ainda.
- Ah, sim, claro.
Claro nada, não entendia porra nenhuma do que ela fazia. Mas confiei.
De repente, ela volta da mesinha de tortura com uma esp átula melada de um líquido viscoso e quente (via pela fumaça).
- Pode abrir as pernas.
- Assim?
- Não, querida. Que nem borboleta, sabe? Dobra os joelhos e depois joga cada perna pra um lado. - Arreganhada, né?
Ela riu. Que situação. E então, Pê passou a primeira camada de cera quente em minha virilha Virgem. Gostoso, quentinho, agradável. Até a hora de puxar. Foi rápido e fatal. Achei que toda a pele de meu corpo tivesse saído, que apenas minha ossada havia sobrado na maca. Não tive coragem de olhar.Achei que havia sangue jorrando até o teto. Até procurei minha bolsa com os olhos, já cogitando a possibilidade de ligar para o Samu. Tudo isso buscando me concentrar em minha expressão, para fingir que era tudo supernatural.
Penélope perguntou se estava tudo bem quando me notou roxa. Eu havia esquecido de respirar. Tinha medo de que doesse mais.
- Tudo ótimo. E você?
Ela riu de novo como quem pensa "que garota estranha". Mas deve ter aprendido a ser simpática para manter clientes. O processo medieval continuou. A cada puxada eu tinha vontade de espancar Penélope. Lembrava de minhas amigas recomendando a depilação e imaginava que era tudo uma grande sacanagem, só pra me fazer sofrer. Todas recomendam a todos porque se cansam de sofrer sozinhas.
- Quer que tire dos lábios?
- Não, eu quero só virilha, bigode não.
- Não, querida, os lábios dela aqui ó.
Não, não, pára tudo. Depilar os tais grandes lábios ? Putz, que idéia.Mas topei. Quem está na maca tem que se fuder mesmo.
- Ah, arranca aí. Faz isso valer a pena, por favor.Não bastasse minha condição, a depiladora do lado invade o cafofinho de Penélope e dá uma conferida na Abigail.
- Olha, tá ficando linda essa depilação.
- Menina, mas tá cheio de encravado aqui. Olha de perto.Se tivesse sobrado algum pentelhinho, ele teria balançado com a respiração das duas. Estavam bem perto dali. Cerrei os olhos e pedi que fosse um pesadelo. "Me leva daqui, Deus, me teletransporta". Só voltei à terra quando entre uns blábláblás ouvi a palavra pinça.
- Vou dar uma pinçada aqui porque ficaram um pelinhos, tá?
- Pode pinçar, tá tudo dormente mesmo, tô sentindo nada.

Estava enganada. Senti cada picadinha daquela pinça filha da mãe arrancar cabelinhos resistentes da pele já dolorida. E quis matá-la. Mas mal sabia que o motivo para isso ainda estava por vir.
- Vamos ficar de lado agora?
- Hein?
- Deitar de lado pra fazer a parte cavada.
Pior não podia ficar. Obedeci à Penélope. Deitei de ladinho e fiquei esperando novas ordens.
- Segura sua bunda aqui?
- Hein?
- Essa banda aqui de cima, puxa ela pra afastar da outra banda.

Tive vontade de chorar. Eu não podia ver o que Pê via. Mas ela estava de cara para ele, o olho que nada vê. Quantos haviam visto, à luz do dia, aquela cena? Nem minha ginecologista. Quis chorar, gritar, peidar na cara dela, como se pudesse envenená-la. Fiquei pensando nela acordando à noite com um pesadelo. O marido perguntaria:
- Tudo bem, Pê?- Sim... sonhei de novo com o cu de uma cliente.
Mas de repente fui novamente trazida para a realidade. Senti o aconchego falso da cera quente besuntando meu Twin Peaks. Não sabia se ficava com mais medo da puxada ou com vergonha da situação. Sei que ela deve ver mil cus por dia. Aliás, isso até alivia minha situação. Por que ela lembraria justamente do meu entre tantos? E aí me veio o pensamento: peraí, mas tem cabelo lá? Fui impedida de desfiar o questionamento. Pê puxou a cera. Achei que a bunda tivesse ido toda embora. Num puxão só, Pê arrancou qualquer coisa que tivesse ali. Com certeza não havia nem uma preguinha pra contar a história mais. Mordia o travesseiro e grunhia ao mesmo tempo. Sons guturais, xingamentos, preces, tudo junto.
- Vira agora do outro lado.
Porra.. por que não arrancou tudo de uma vez? Virei e segurei novamente a bandinha. E então, piora. A broaca da salinha do lado novamente abre a cortina.
- Penélope, empresta um chumaço de algodão?

Apenas uma lágrima solitária escorreu de meus olhos. Era dor demais, vergonha demais. Aquilo não fazia sentido. Estava me depilando pra quem? Ninguém ia ver o tobinha tão de perto daquele jeito. Só mesmo Penélope. E agora a vizinha inconveniente.
- Terminamos. Pode virar que vou passar maquininha.
- Máquina de quê?!
- Pra deixar ela com o pêlo baixinho, que nem campo de futebol.
- Dói?
- Dói nada.
- Tá, passa essa merda...
- Baixa a calcinha, por favor.
Foram dois segundos de choque extremo. Baixe a calcinha, como alguém fala isso sem antes pegar no peitinho? Mas o choque foi substituído por uma total redenção. Ela viu tudo, da perereca ao cu. O que seria baixar a calcinha? E essa parte não doeu mesmo, foi até bem agradável.
- Prontinha. Posso passar um talco?
- Pode, vai lá, deixa a bicha grisalha.
- Tá linda! Pode namorar muito agora.

Namorar...namorar.­.. eu estava com sede de vingança. Admito que o resultado é bonito, lisinho, sedoso. Mas doía e incomodava demais. Queria matar minhas amigas. Queria virar feminista, morrer peluda, protestar contra isso. Queria fazer passeatas, criar uma lei antidepilação cavada.
Filha da puta foi a mulher que inventou a "cavadinha" .

Não sei quem escreveu esse texto mas acho ele hilário, então quem souber quem é a autora(pq com certeza é uma mulher, rsrsrsrsrsrs), por favor me fale!

=D



18 comentários:

beijinhoscomglitter disse...

visitandO!

ameeeei o texto
mto topz\z
kaoskoaksokaoskaok


beijinhos

Dora disse...

Meu Deus! Descrição detalhada de retaliação íntima feminina! Você sabe que até andava pensando em me aventurar por esses caminhos... mas agora já não me sinto tão bravamente capaz... E "O Albergue" perde menina, para tal descrição...rs rs rs rs rs
E quando já me sentia cheia de solidadriedade para contigo, descobri que a protagonista (porque como você disse deve mesmo ser uma mulher) não era você...
Obrigada pela visita. Vou linkar você, tá?!
Cheiro grande e bom fim de semana!

Cin disse...

KKKKKKKK Mto bom mesmo!
Bjos!

"O Autor", disse...

Como são estranhas as mulheres.

Lucí disse...

HAhaha.... Por todo tempo pensei que tivesse lendo uma situação real vivida por vc!? Só vi que não era no final.. sinal que o texto era completamente estranho pra mim...

Cara, eu senti cada dorzinha que a personagem sentiu, ja estava me penalizando contigo, sofrendo, quase chorando..

Como ela mesmo disse, ninguem vai ver de tao perto, pra que sofrer tanto?..rsrs mulher gosta de sofrer..

Alguem uma vez ja me disse: Mulher pra ficar bonita tem que sofrer!"..

Eu tinha um 6 anos, cortando o cabelo e a mulher secando com o secador super quente no meu pescoço.

Acho que por isso que eu sou "Bicho do Mato", gosto de naturalizar o maximo possivel, o que da pra evitar eu evito, a regiao citada no texto, ate da pra dar uma arrumada, mas fazer Cavada, daquela forma.. nao rola, jamais..

Bjo, amada e bom final de semana..

Alone disse...

Carol , nem consigo comentar, já que sou Menino e essas coisas de depilação não são minha área ... rs !
Obrigado pela vista viu, espero sermos amigos, enquanto ao seu comentário, tô tentando fazer a fila andar + tá difícil ! ☻

Beijos

Biana França disse...

KKKK, não aguentei, morri de rir...
Fiquei me imaginando lá, com a bunda gigante que eu tenho e ela falando:
-Segura a bandona.
Pô, muito bom mesmo!!!
Bjus.

Amanda Marina ♥ disse...

*Morre de ri*
*Respira*
*Comenta*

Meu Deus....o que é isso??
Hahahaha
E eu achando que era você e pensando: - Nossa, eu não teria corajem de contar minha intimidade tão profundamente!!

Muito 10

Beijos*

Clecia disse...

Carol, você me mata de rir,mulher! rsrs E eu pensando que fosse uma situação vivida por você. rs Mudando de assunto, obrigada pelas visitas e desculpe-me a demora em retribuir. Estava doente estes dias e por isso não deu para visitar os amigos. :) Espero que tenha um ótimo fim de semana!Bjos!

Pelos caminhos da vida. disse...

Retribuindo visita!

KKKKKKK,ri muito e,por um minuto me coloquei no seu lugar,rs.

beijooo.

Sarinha disse...

kkkkkkkkkkkkkkkkkk
é um mal necessariooo e doooii demaaiiis
maas..
"filha da puta quem inventou a cavadinha... "
kk
bjus

Sammyra Santana disse...

huahauahuahauahauahuahauahauahauhauahauahauhauahauahauhauahauahauhauah

Caroooooooolll, dei muita srisadas com esse texto! eita como mulher sofre... meu pai do Cristo!

Beeijo

Milla disse...

Eu já conhecia esse texto, cara, e morro de rir toda vez que leio!!!
É bom demais!!!
HAEIUAHEIAUEHAIUEH

beijo!!!

SGi/Sonia disse...

Esse texto levanta o astral de qualquer um, porque é hilário!
Claro que só é engraçado porque não sou eu que estou lá fazendo a "cavadinha"...

Tem um selinho pra você lá no meu blog.

Beijins

Milla disse...

tem selinho rpa ti no meu blog ;)

Aline disse...

kkkkkkkkkkkkkk

eu churei de rir amada, chureeeeei!

ow, depilação na virilha e no toba é coisa do Demo, sempre falo isso! rs...

bjm

NAELA disse...

Linda adorei o texto!! Nao parei de rir, e quem o escreveu falou certo!
Ai vou ler de novo...
Beijo doce

Assim que sou disse...

Não há descrição mais fiel. Já fiz inúmeras vezes e em todas as vezes refleti sobre a razão daquilo. Continuo enfrentando, mas sentindo dor. Acho que é um carma a ser cumprido. E que - só posso acreditar assim - vai me levar à redenção na próxima vida.
Não sendo assim, só privação de sentidos mesmo.

bjs. Veronica