terça-feira, 11 de novembro de 2008

Leveza


"É preciso ser leve como o pássaro, e não como a pluma"
(Paul Valéry)




"É preciso ser leve como uma brasa, não como uma chama. Leve como um aceno, não como um grito. Leve como uma horta, não como um jardim. Leve como um livro, não como uma página. Leve como um poema, não como um verso. Leve como uma duna, não como o vento. Leve como um vestido, não como um lenço. Leve como o cristal, não como o vidro. Leve como o pão, não como a migalha. Leve como um temporal, não como o relâmpago. Leve como o varal, não como o casaco. Leve como o telhado, não como a telha. Leve como uma árvore, não como o fruto. Leve como o caroço, não como o inseto. Leve como as mãos, não como a aliança. Leve como o mar, não como a espuma. Leve como uma geada, não como a nuvem. Leve como vinho, não como a fumaça. Leve como a ofensa, não como o elogio. Leve como o clarão, não como a lâmpada. Leve como a pá, não como a faca. Leve como o cavalo, não como a lã. Leve como o armário, não como a gaveta. Leve como o moinho, não como o chapéu. Leve como o rosto, não como o pente. Leve como o mel, não como abelhas. Leve como a rocha, não como a erva. Leve como uma varanda, não como a janela. Leve como a voz, não como o silêncio. Leve como a meia-noite, não como o meio-dia. Leve como a despedida, não como a volta. Leve como uma casa, não como um quarto. Leve como as córneas, não como as moedas. Leve como um corredor, não como um quadro. Leve como uma escada, não como um degrau. Leve como uma mesa, não como o prato. Leve como o caráter, não como a opinião. Leve como uma fome, não como o apetite. Leve como desejo, não como a vontade. Leve como o amor, não como a paz. Leve como o corpo, não como o sangue. Leve como uma porta, não como um pêndulo. Leve como o inverno, não como o verão. Leve como a confidência, não como o segredo. Leve como a alegria, não como a euforia. Leve como a memória, não como a papoula. Leve como o balanço, não como a corda. Leve como a insistência, não como a dúvida. Leve como um casal, não como a solidão. Leve como a boca, não como a língua. Leve como a música, não como a palavra. Leve como a migração, não como o pássaro. Leve como o ninho, não como o ramo. Leve como a pata, não como a asa. Leve como uma cicatriz, não como o traço. Leve como o espanto, não como a reza. Leve como o medo, não como um morto. É preciso ser denso para ser leve. "
(Fabrício Carpinejar)

16 comentários:

Pelos caminhos da vida. disse...

Leve como uma pena...

beijooo.

SGi/Sonia disse...

já voltou! e aí foi muito feliz?

Beijins com felicidades:*

Linda_Rê disse...

"É preciso ser denso para ser leve."
E nem precisava dizer mais nada.

Linda_Rê disse...

"É preciso ser denso para ser leve."
E nem precisava dizer mais nada.

Tata disse...

Oi Carol,

Nossa que lindo esse texto!

A- Do- Rei!

beijinhos

JIME disse...

Leve como essa canção da Diana Krall.
Muito show...
Beijos.

Quase Trinta disse...

o segredo está no equilibrio
bjs

Milla disse...

Ohh, vc voltou!! e toda leve..heuehue... viagem fez bem!! ^^

Bjs!!

Erick Júlian de Medeiros Feitoza disse...

eu gostei...
mas você vive uma vida leve? :d

João da Silva disse...

Este texto é maravilhoso. Começa lindo lá em cima, com Valéry. Se não me falha a memória, era ele quem dizia que as décadas nos parecem minutos, quando recordamos, e os minutos parecem década, quando aguardamos.
Quanto à leveza, nossa, parece-me que vivi cada comparação do texto. Sim, nós nos tornamos leves, à medida que saibamos amadurecer. É o "tornar-se leve" o movimento de crescimento. Passamos pelo não-saber, aprendemos, no curso da vida, e depois de um momento epifânico, tornamos o que deveríamos ser: nós mesmos (idéia baseada em Píndaro).
Beijos carinhosos do João

Pelos caminhos da vida. disse...

Passei aqui para deixar meu bom dia,e qdo for me visitar,ápos o post meu deixei um recado para meus amigos,mas desde já eu te digo não vou desistir e sim continuar,fiquei mais forte ainda.

Meu jardim vai continuar florido,pois as pragas que quizeram acabar com minhas flores não conseguiram,exterminei as mesmas do meu jardim lindo e florido,pois são vcs meus amigos de verdade é que fazem meu jardim brilhar,eu apenas dou um toque nele.

Bom dia.

beijooo

Tatah Marley's Confissões disse...

Poema maravilhoso meu anjo!
Me arrepiei todinha aqui!
*.*
blog lindo!
:*

:: Fatima :: disse...

Como diria a Yasmim da malhaca:

"Minha nossa senhora da bicicletinha,me de equilibrio"

O segredo é ter equilibrio!

Bjos querida!

Anna Oh! disse...

Lindo texto! Suave, ao msm tempo intenso!
E a foto então, caiu perfeitamente!

Bjsssss

GUILHERME PIÃO disse...

Concordo, tem que ser leve e sútil...
Abraços

Pelos caminhos da vida. disse...

Obrigada por ter me entendido.

Bom dia.

beijooo.